O UFC indisputed 3 é um jogo de ps3, sobre lutas de ufc, óbvio! Não pretendo analisar técnica ou graficamente esse jogo, até porque existem pessoas muito mais habilitadas do que eu pra fazer isso. Aliás, sei que existem muitos blogs dedicados aos jogos como esse.
O que eu quero falar é de como esses jogos, e esse em especial, tornam-se interessantes de jogar, e de assitir, como é o meu caso, porque trabalham com dados de realidade e são de longa, ou até infinita, duração. Ao contrário do que ocorria com quem jogava Maio Bross, o jogador de UFC não precisa projetar-se num bonequinho que come cogumelos e sobe em tartarugas para sentir-se envolvido. Ele pode montar um personagem humano, homem, adulto e escolher a cor dos cabelos, dos olhos, as tatuagens e, o que deve ser ainda mais prazeroso, a quantidade de músculos. Depois de deixar o protótipo parecido consigo, só que mais forte, ele o lança em treinamentos específicos e vai evoluindo ao longo do tempo, adquirindo táticas e movimentos. Participa de campeonatos, começando dos mais regionais e menos rentáveis, como de fato acontece. Quando se julga pronto, entra em lutas de UFC com personagens reais, como Frank Mir, Junior dos Santos ou Minotauro. Deliciosamente, com um pouco de esforço, ele pode espancá-los e vê-los sangrando choramingando derrota, enquanto uma série de vozes grita o nome que escolheu como apelido (Pitt Bull, Assassin, Professor, entre outros). Passado um tempo, ele fica velho demais para o ofício e aposenta-se. Cabe então ao jogador criar outro homem forte para jogar mais. Há ainda outras possibilidades, é claro, como jogar online disputando com pessoas reais e seus homenzinhos fortes.
Eu gosto e entendo por que os homens- ou pelo menos alguns deles- gostam tanto desse tipo de entretenimento. Mas como mulher, sinto falta de jogos de outro universo, que podem parecer absurdos e muito provavelmente não teriam público pelo simples fato de que muito geralmente quem se interessa por uma coisa não se interessa por outra. Explico-me. Gostaria de que houvesse, por exemplo, um jogo muito similar a este que descrevo, que dissesse respeito à carreira de uma balirina. Ela começaria novinha, fazendo treinamento na barra. Você poderia escolher seu peso, altura e a cor do seu colan. Depois de algum treino, ela faria, já mais velha, teste para subir na ponta. Competiria com outras bailarinas por papéis em grandes produções de ballet, começando pelas mais simples e terminando em coreografias complexas como o Lago dos Cisnes. No final, assim como o fortão do UFC, ficaria meio velha e se aposentaria. Ganharia pontuação por realização de passos difíceis e número de piruetas. E eu, que larguei o ballet e virei comum e sedentária, poderia curtir um pouco esse desejo sentada no sofá.
Outra possibilidade é um jogo de criar novelas. Você escolhe os atores e atrizes, cria personagens, monta intrigas e vai dando longo e paulatino rumo a histórias, ganhando ou não popularidade de acordo com o quanto os outros jogadores assistem à sua criação. Quanto mais popular fica, mais grana tem para contratar atores e atrizes famosos, o que também ajuda a aumentar a popularidade. Imagino até uma listinha de temas, dos quais você vai podendo dispor conforme ganha pontos. No começo pode compar o tema ‘homossexuais’, se ganha mais pontos pode já colocar na trama uma bulímica, e no auge da carreira tem a possibilidade de incluir um anão ou um bullying escolar. Não seria o máximo?
Por fim, sugiro o CarnaPlay, em que você monta sua escola de samba, as alas, fantasias, samba enredo. Vem a calhar nessa época do ano.
Por ora, contento-me em ver meu marido vibrar nocauteando algum monstrengo tatuado. Esclareço que não acho impossível, muito pelo contrário, que mulheres joguem UFC, Call of Duty ou Winning Eleven. E talvez nem toda mulher goste de novelas e bailarinas. Mas eu gosto. E nessa noite, resolvi imaginar… Nessa noite queria que tudo fosse ao meu gosto…e meu colan seria roxo!