Aula de anatomia

Papo cabeça

ao pé do ouvido

entreguei meu coração.

Foi bater perna

e no boca a boca

eu tinha chifres.

Ele não tem peito

Eu não tenho estômago

Um pé na bunda.

Cai de joelhos

dor de cotovelo 

das tripas coração.

Um ombro pra chorar

Me dá uma mão

Olho por olho

Dente por dente

Não me vira as costas

vai tomar no cu!

Eu não sou de falar mal dos outros

Um dia falei mal de uma pessoa a outra e…ela descobriu. Era uma chefe no trabalho, então chamou-me para a sala dela, fechou a porta,  estava mais gentil do que o normal. Quando sentou na cadeira e olhando pra baixo pronunciou meu nome com certa solenidade, eu já sabia. Falou durante alguns minutos sobre o que havia ouvido da boca de outra pessoa, tentou parecer sensata e sem rancores ao dizer que eu tinha direito àquela opinião e, por fim, questionou-me por que, simplesmente, eu não tinha feito a crítica diretamente a ela, sendo que para isso tinha tido tantas oportunidades. E minha resposta veio tão repentina aos lábios quanto verdadeira: “É mais fácil falar pros outros.”

Minha interlocutora ficou chocada. Tentei explicar que já havia procurado antes dizer aquelas verdades ingratas, mas sempre minhas palavras se adoçavam sem que eu pudesse controlar o processo, parecendo que a crítica não era assim tão grande ou importante. E entre uma palavra desagradável e outra eu salientava tantas qualidades dela, que a opinião negativa se dissolvia, derretendo sem força.  Assim acabei sendo, como tantas outras vezes fui ou como tantas outras pessoas são e foram..falsa!

As pessoas não falam o que pensam das outras porque não querem se expor a uma situação intranquila, a um silêncio massacrante e um dia seguinte com o anterior de testemunha. Se pudéssemos falar e sair correndo ainda vá, mas o constrangimento após as verdades ditas vem a cavalo.

Falar mal dos outros a terceiros, em compensação, além de fácil, tem seu prazer. A gente liberta alguns termos que não usaria e tem um cúmplice que ou já partilha a opinião ou será em breve convencido a partilhar. Temos uma relação momentânea pautada no fato de não gostarmos de um mesmo ser ou de uma mesma característica de um ser qualquer.

Quando falamos mal dos outros, ficamos melhores, porque estamos salientando implicitamente o quanto não somos aquilo que criticamos no outro. Se dizemos que alguém é feio, naquele momento somos bonitos. E por ai vai.

Falar mal de chefe então é se ver restituído de um poder que você só teve antes do emprego existir. Ele pode ganhar melhor do que você ou mandar você preparar um relatório, mas quando na mesa do bar você fala mal dele a um amigo, está reinando poderoso e lhe dando ordens morais. Ele está rebaixado ao seu julgamento.

Falar mal de amiga é ainda mais indecente, e proporcionalmente inevitável. As três amigas (número comum para um círculo íntimo de amizade) trocam ofensas e críticas indiretas numa rotatividade quase saudável. É o ciclo da vida. Amigas número 1 e 2 falam mal da 3, que por sua vez se reúne com a 1 e fala mal da 2 e sem querer acaba falando mal da 1 com a 2 num jantar do qual ela não pôde participar. Se o amor entre as amigas é verdadeiro, deve-se começar dizendo: não é que eu queira falar mal dela, você sabe que eu a amo, mas… e ai vai longa história cheia de detalhes e justificativas.   É muito provável que quando se tratem de pessoas normais e boas o ‘falar mal’ nunca passe por defeitos íntimos ou violências morais. Não se toca no ponto fraco da amiga.

Falar mal de família é também algo muito simples. Todo o insulto é válido contanto que seja dirigido a um outro membro do grupo. Mãe fala mal do filho ao outro filho, que fala mal da mãe ao pai, que fala mal do avô à mãe. Mas se a corrente quebrar e alguém de fora quiser falar mal de algum membro, será recebido com paus e pedras.

É por essas e outras que se fazem necessários os elementos sociais de falar mal: os políticos e a seleção brasileira. Pode falar à vontade que ninguém vai achar estranho ou anti-ético. Vamos aliás falar mal juntos quando outro assunto melhor não vier. Vamos falar mal da Veja, do Big Brother, da Xuxa (ela precisa re-significar sua existência).

Falar mal é coisa de quem não tem o que fazer, mas quem tem o que fazer o tempo todo?

Insônia

Outro dia disse a um conhecido que naquela noite eu tinha tido insônia. Ele corrigiu-me: “Insônia é uma doença séria, não isso ai que você teve”. Ele provavelmente achou que o que eu tinha tido era um chilique noturno que atrapalhou o sono. Que seja!

O sono mastiga o dia vivido e constrói o esqueleto para o dia que se viverá. Quem não dorme bem tem passado e futuro comprometidos. Quem tem insônia só tem o presente. E o presente, sabemos, não sustenta ninguém.

As horas que passei revirando-me naquela cama, num calor desproporcional ao mês de março, lutando contra mosquitos e pensamentos ruins, foram um verdadeiro inferno.

Vinham-me frases à mente, trechos de poemas que eu queria escrever e os quais temia não lembrar no dia seguinte. Mas levantar e anotá-los era tão cruel quanto esquecê-los.

Sabendo que no dia seguinte teria de me levantar cedo, muito cedo, eu consultava o relógio de tempos em tempos, cada vez mais aflita, verificando quantos minuotos de sono eu já havia perdido. E quanto mais verificava que o tempo ia, mais o tempo demorava a passar na cama.

Na tentativa de driblar a situação, me decompunha cada vez mais em suores, cigarros e líquidos que ingeria, e que me faziam levantar pra ir ao banheiro. Fora a balinha de menta que eu punha na boca a fim de cansar pelo menos algum músculo e que só me trazia mal estar e cheiro de hortelã. Uma dorzinha de cabeça não decidia se ia ou se ficava. Fosse uma exaqueca, eu a levava a sério e vivia a dor com a merecida intensidade, mas era uma dorzinha medíocre e cínica.

Eu cheguei a odiar o travesseiro, que se enrolava entre as pernas, debaixo do crânio, debaixo do braço. Jogava-o longe, pegava de volta, enfiava nele a cara como quem quer se sufocar. Depois reconsiderava o ato e o usava para abanar os calores.

Depois de algumas horas o corpo cedeu. A mente demorou mais um pouquinho, mas foi-se. Tive então um pesadelo desses de palpitar o coração. Acordei afoita e dessa vez o sono não demorou a vir de novo. Acho mesmo que a gente tem insônia quando a mente não conseguiu aprontar a tempo nenhum sonho que valesse a pena. Então só nos permite dormir quando o sonho está pronto, e às vezes demora.

Quando o despertador tocou mal estava claro, e eu passei um dia sem passado nem futuro, meio suspensa no ar, na embriaguez de quando se dorme mal.

Meu chilique noturno deve ter me ensinado algo, mas ainda não acesso a infromação. Por enquanto sou só cansaço, desses que bloqueiam a mente e as ações.

Não quero nunca mais ter chilique noturno.

Capítulo 2- Você é lindo…só que ao contrário…

Glauco, 23 anos, mora na Freguesia do ó, faz curso técnico de computação e tem um pôster no quarto (não importa qual, Glauco, nós já não estamos mais nos anos 90!!!)

Milena, tudo bem? Tenho alguns problemas quanto à minha aparência e acho que é por isso que não consigo arranjar uma namorada. Trabalho como estagiário numa empresa de computação e ganho apenas 650 reais por mês. Tenho muitas espinhas, mesmo não sendo mais adolescente e peso apenas 60 kg. Estou fazendo um exercício que tem me ajudado muito e que aprendi com um cara lá da minha vila. Olho no espelho pelado todos os dias e digo, antes de sair de casa: Você é lindo, você é lindo… devo continuar?

Minha resposta: Caro Glauco, pare imediatamente com esse procedimento. Nem o espelho merece ver você pelado às 7 horas da manhã. Você precisa parar de acreditar que é lindo, porque ao que me parece é raquítico, cheio de espinhas e ganha mal, já não bastasse o fato de se chamar Glauco e morar na Freguesia do Ó. É claro que não vai arranjar uma namorada. Enquanto achar que isso tudo não é problema, não vai trabalhar em mudanças produtivas.

Tenho para você algumas dicas:

1)      Compre imediatamente, mesmo que tenha que gastar metade do seu salário, um creme anti acne.

2)      Coma, mas coma muito, porque 60 kg não é peso de homem.  

3)      Xingue sua mãe por ter te colocado esse nome. Quando se apresentar a uma garota, diga que seu nome é Dudu ou Chico, mas nunca jogue o Glauco logo de cara. Depois você explica e conta, pra ajudar, que a Suzana Vieira na verdade chama Sonia (esse é um dado verídico, pode pesquisar)

4)      Pare de se referir ao lugar onde mora como ‘a vila’. Você não é o Chavez, pelo amor de Deus!  

Pode ter certeza de que esses já são passos iniciais que vão lhe ajudar bastante!

Aguardamos novas cartas…amanhã tem mais!

Capítulo 1- Apesar de mamãe e papai

Adriana Almeida, 38 anos, mora em Perdizes, o marido é meio bobo, desses que põe aliança dentro da sobremesa pra pedir em casamento. Ela é bonita, mas está envelhecida. Tem um filho que é um pentelho. Ela pergunta:

Olá! Ando muito infeliz e reflexiva e sinto que tenho algumas questões que me acompanham e que estão me prejudicando. Acho que a maioria delas tem a ver com o fato de que minha mãe era muito egoísta e meu pai muito severo, muito fechado. Ele nunca me fazia carinho físico e nem me elogiava. Acho que não elogiava ninguém. Meu pai era consultor financeiro e tinha muita rigidez consigo mesmo e com os outros. Ele morreu quando eu tinha 12 anos. Minha mãe, depois disso, virou uma namoradeira, era muito bonita ainda. Ela se vestia bem e ia sempre ao cabeleireiro, mas não tinha o mesmo cuidado com a minha aparência física. Eu ficava dias sem lavar o cabelo pra ver se ela percebia, mas não adiantava. No final da semana meu cabelo estava mais oleoso que óleo Lisa e minha mãe continuava uma ego centrada. Acho que é por isso que eu tenho auto estima baixa hoje e as coisas não dão certo pra mim. Meu filho não me respeita e não tenho voz no meu casamento. Você não acha que é porque tenho muitas questões da infância mal resolvidas?

Minha resposta: Cara Adriana, veja bem…você me descreve pais muito desagradáveis, é verdade. Mas pense …amanhã seu filho pode ser um psicopata e sair por ai dizendo que a culpa é sua, que na infância dele era uma deprimida de auto estima baixa e cabelos ensebados (você continua com a política de não lavá-los para chamar atenção???) Sendo assim, não acho produtivo culpar eternamente os pais por nossas características ou dificuldades. É claro que eles têm grandissíssima constribuição na formação de nosso caráter e personalidade, mas são seres humanos como nós. Quando crescemos, nos tornamos pessoas adultas, inteiras, produtos de nossos pais, mas também de uma série de outras influências e vivências. Se não fosse filha deles, seria filha de outros dois malucos quaisquer. Quanto ao egoísmo de sua mãe, talvez ele lhe exija mais autruísmo de si mesma e consigo própria. Agora que você é uma mulher adulta, quem tem que cuidar da sua aparênia física é você. Quem tem que lhe fazer carinho é seu marido e não seu pai. E suas questões da infância interessam muito menos do que as questões de adulto que você visivelmente carrega. Toma vergonha na cara, Adriana! Seus pais estão mortos, coitados, e com certeza tentaram e acertaram pelo menos em alguma coisa com você. Agora é sua vez de segurar as rédeas de sua prórpria vida. O que os outros são e como agem não podemos na maioria das vezes mudar, justamente porque pertence aos outros. Podemos sim ser firmes e inteiros! Boa sorte!

UFC undisputed 3 e o Lago dos Cisnes

O UFC indisputed 3 é um jogo de ps3, sobre lutas de ufc, óbvio! Não pretendo analisar técnica ou graficamente esse jogo, até porque existem pessoas muito mais habilitadas do que eu pra fazer isso. Aliás, sei que existem muitos blogs dedicados aos jogos como esse.

O que eu quero falar é de como esses jogos, e esse em especial, tornam-se interessantes de jogar, e de assitir, como é o meu caso, porque trabalham com dados de realidade e são de longa, ou até infinita, duração. Ao contrário do que ocorria com quem jogava Maio Bross, o jogador de UFC não precisa projetar-se num bonequinho que come cogumelos e sobe em tartarugas para sentir-se envolvido. Ele pode montar um personagem humano, homem, adulto e escolher a cor dos cabelos, dos olhos, as tatuagens e, o que deve ser ainda mais prazeroso, a quantidade de músculos. Depois de deixar o protótipo parecido consigo, só que mais forte, ele o lança em treinamentos específicos e vai evoluindo ao longo do tempo, adquirindo táticas e movimentos. Participa de campeonatos, começando dos mais regionais e menos rentáveis, como de fato acontece. Quando se julga pronto, entra em lutas de UFC com personagens reais, como Frank Mir, Junior dos Santos ou Minotauro. Deliciosamente, com um pouco de esforço, ele pode espancá-los e vê-los sangrando choramingando derrota, enquanto uma série de vozes grita o nome que escolheu como apelido (Pitt Bull, Assassin, Professor, entre outros).  Passado um tempo, ele fica velho demais para o ofício e aposenta-se. Cabe então ao jogador criar outro homem forte para jogar mais. Há ainda outras possibilidades, é claro, como jogar online disputando com pessoas reais e seus homenzinhos fortes.

Eu gosto e entendo por que os homens- ou pelo menos alguns deles- gostam tanto desse tipo de entretenimento. Mas como mulher, sinto falta de jogos de outro universo, que podem parecer absurdos e muito provavelmente não teriam público pelo simples fato de que muito geralmente quem se interessa por uma coisa não se interessa por outra. Explico-me. Gostaria de que houvesse, por exemplo, um jogo muito similar a este que descrevo, que dissesse respeito à carreira de uma balirina. Ela começaria novinha, fazendo treinamento na barra. Você poderia escolher seu peso, altura e a cor do seu colan. Depois de algum treino, ela faria, já mais velha, teste para subir na ponta. Competiria com outras bailarinas por papéis em grandes produções de ballet, começando pelas mais simples e terminando em coreografias complexas como o Lago dos Cisnes. No final, assim como o fortão do UFC, ficaria meio velha e se aposentaria. Ganharia pontuação por realização de passos difíceis e número de piruetas. E eu, que larguei o ballet e virei comum e sedentária, poderia curtir um pouco esse desejo sentada no sofá.

Outra possibilidade é um jogo de criar novelas. Você escolhe os atores e atrizes, cria personagens, monta intrigas e vai dando longo e paulatino rumo a histórias, ganhando ou não popularidade de acordo com o quanto os outros jogadores assistem à sua criação. Quanto mais popular fica, mais grana tem para contratar atores e atrizes famosos, o que também ajuda a aumentar a popularidade. Imagino até uma listinha de temas, dos quais você vai podendo dispor conforme ganha pontos. No começo pode compar o tema ‘homossexuais’, se ganha mais pontos pode já colocar na trama uma bulímica, e no auge da carreira tem a possibilidade de incluir um anão ou um bullying escolar. Não seria o máximo?

Por fim, sugiro o CarnaPlay, em que você monta sua escola de samba, as alas, fantasias, samba enredo. Vem a calhar nessa época do ano.

Por ora, contento-me em ver meu marido vibrar nocauteando algum monstrengo tatuado. Esclareço que não acho impossível, muito pelo contrário, que mulheres joguem UFC, Call of Duty ou Winning Eleven. E talvez nem toda mulher goste de novelas e bailarinas. Mas eu gosto. E nessa noite, resolvi imaginar… Nessa noite queria que tudo fosse ao meu gosto…e meu colan seria roxo!

meu álbum

No dia do meu casamento ganhei de presente um álbum de fotografias. Era uma coleção de imagens, buscadas e coladas com todo o cuidado, transbordando um carinho que eu nem sei se mereço. Eram, em sua maioria, fotos dos últimos seis anos- tempo que levou para o nosso sentimento, meu e do meu marido, ser contruído até aqui. Degrau por degrau.

Algumas eu nem sabia que existiam e com outras tinha até bastante intimidade.

Foi o melhor presente que ganhei. Isso é certo. Mas a verdade é que não posso com fotografias! Nunca foram minhas amigas. Não gosto de vê-las e, já advertida, não faço questão de tirá-las. Às vezes pratico um esforço, a fim de seguir tradições ou expectativas alheias. Que tipo de gente esquisita não gosta de fotografia? Viagens, aniversários, despedidas.

Não é que eu não goste de fotografias, simplesmente. Eu não gosto do pior jeito, porque gosto ao mesmo tempo. É como se olhasse a foto de alguém querido que já morreu. É bom, mas doloroso. No caso, o morto sou eu. Não sou mais aquela, e sou invadida por uma nostalgia incômoda. Se o corpo estava bonito, lamento por não mais tê-lo. Se estava mais feio, sinto pelo antigo descuido. Se o olhar é mais alegre do que o de hoje, remoo tentantivas de descobrir onde os olhos perderam o brilho. Se estavam mais solitários, sinto pena da menina-eu do passado.

E eu nunca devia ter tingido os cabelos. E meu marido tinha cabelos.

 Faz tempo que não vamos àquela praia, ou nunca mais fomos àquele país. A alegria está presa, como macumba mesmo, na imgem imóvel roubada de um outro momento. Testemunha ingrata. Não importa a felicidade de hoje ao se ver uma fotografia. Ela só será sentida no futuro, quando eu observar a foto que hoje foi tirada. E isso demora um tempo. Para chegar ao status de dolorosas as fotos passam por um período de euforia ou esquecimento. Uma vez existindo o facebook o processo pode ser ainda mais demorado.

Minha cachorra cresceu e já não cabe mais nas minhas mãos. Quando um dia ela se for desse mundo, vou chorar em cima da foto em que ela aparece enorme, adulta e linda. Por enquanto, choro pelo bebê de patas brancas, quase virgens de jardim.

 Deve ser por isso que eu não saio bem em fotos. Quando as tiram, geralmente numa empolgação daqual discordo, me imagino saindo toda esbranquiçada, como vampiro. Meu segredo será descoberto.

Tem uma foto no álbum em que eu estou deitada no colo da minha irmã mais velha. Tem outra em que damos risadas num sítio. Tem caretas. Tem amigos. Tem ano novo, aniversário e cotidiano. Tem viagens, cachorros e excesso de bebida. Tem meus sobrinhos ainda mais crianças inocentes do que já são hoje. Tem um olhar meu que brilha tanto, mas tanto… coisa de menina bem jovem que sonha em se casar.

Eu não posso, eu não quero, eu não gosto de fotografias!

luján…pra nunca mais esquecer

O zoológico de Luján fica a 60 Km de Buenos Aires. Parece um sítio, grande, onde animais de todos os tipo são criados. O grande diferencial em relação aos outros zoológicos é que, neste, o visitante pode entrar nas jaulas dos tigres e leões, tanto filhotes quanto adultos, e tirar fotos com estes animais. É uma experiência única! A sensação de acariciar um tigre e dar leite na boca de um leão aduto é inenarrável, algo que não se compara a outras tantas vivências e que emociona muito.

Para quem gosta de animais esse é um passeio imperdível ao visitar, com algum tempo, Buenos Aires. Aconselho ir de táxi, o preço é razoável e a estrada excelente.

O abraço de Kiki

Neste finalzinho de ano tive o prazer de ler o livro Kiki de Montparnasse, uma biografia em quadrinhos de uma mulher que eu até então não sabia que havia existido e que, no entanto, me pareceu de repente uma amiga de longa data.

Kiki era o apelido carinhoso de Alice Prin, uma francesinha nascida em 1901, que conheceu cedo os pecados da vida e circulou no ambiente mais fértil da cultura e da arte do século XX. Foi amiga de muitos e amante de tantos outros e teve a infância difícil necessária a qualquer biografado que se preze.

Poderia eu então ficar aqui linhas e linhas contando a história desta mulher incrível, listando os dados da vida, os nomes, os trabalhos, os motivo pelos quais é considerada uma verdadeira vanguardista. Não é isso, porém, que tenho vontade de fazer agora. Kiki foi sim uma mulher a frente de seu tempo, capaz de fazer arte num mundo de artistas masculinos, capaz de fazer  sexo num tempo de casamentos, capaz de fazer graça num período de guerras. Mas é pouco para esta mulher ser admirada por ter sido quem foi na primeira metade do século XX. Para mim, se tivesse vivido antes, se tivesse vivido depois, teria brilhado do mesmo jeito. Não era só uma mulher especial porque, em bom português, bebia, cheirava e dava pra Deus e o mundo sem ligar pro que os outros pensavam. Kiki era especial, a meu ver, porque era  um bom ser humano. Tinha uma loucura particular, um pensamento criativo, um desejo de ser feliz que superava a vontade de ser normal. Tinha a carência de um bicho acuado e a violência que proporcionalmente a dominava. Amou tanto e tão grande que não pôde talvez amar a si mesma, numa cilada típica da mulher nua, como foi fotografada e pintada dezenas de vezes. Desarmada.

Era repudiada pela sociedade moralista de seu tempo e espaço, e, pelo que percebo, do nosso tempo e espaço também. As mulheres e os homens a chamavam de puta, elas com ódio, eles com desejo. E estava, ainda assim, cercada de carinho e de afeto, maquiada e penteada como uma verdadeira princesa dadaísta.Quando dançou teve quem a aplaudisse,  quando foi presa teve quem a soltasse, quando morreu teve quem a chorasse, e isso lhe bastava, ao que tudo indica.

Aos cinqüenta e um anos, quando foi encontrada morta no chão com o corpo apodrecido de tanto mal uso, e seu companheiro Man Ray negou à imprensa a venda de suas fotos, eu fechei o livro, dei um suspiro e pensei comigo se eu tinha um pedacinho de Kiki em mim. Que mulher sou eu? É possível ser delicada sem ser pequena e ser grande sem ser espalhafatosa?

Gosto de acreditar que sim. Embora difícil, equilibrar-se há de ser uma tarefa prazerosa, permeada pelos momentos de sim e de não, de certo de errado, de triste e contente. Deve ser tarefa de gente muito corajosa, porque se deixar despencar para um lado e viver manca é ainda menos desconfortável do que viver inteira. E há de se fazer uma concessão, em meio a isso tudo, para o desequilíbrio de amar. O amor por natureza nos desloca de nós mesmos e não há paz que pague o marasmo de não se estar amando. Fazer o quê? Ninguém quer fica do lado de fora do abraço. A gente parece que nasce e fica olhando em volta pra ver quem e o que tem potencial no mundo de nos amar e de ser por nós amado. E ai vem uma música com um versinho bonito e uma cena de filme, triste de coçar os olhos, ou um por do sol laranja. O por do sol nem sabe que é bonito.

Eu gostei tanto do livro que senti que aquela sensação bastava, pelo menos por um momento, para eu caber no abraço. No abraço a Kiki.

 

Coisas que eu odeio no mundo

- A sazonal temática italiana de novelas da Rede Globo, sobretudo a do presente momento em que o Toni Ramos fala meio português meio italiano e se chama Totó (serão os pelos?)

- A chantagem emocional de e-mails que terminam com ‘desde já agradeço’.

- As pessoas que se dizem com saudade do trema: carência tem limite.

- O radar da Bandeirantes às 6 da tarde. É uma piada de mau gosto, porque ninguém vai passar a mais de 70 por cima dos 450 carros engarrafados à sua frente.

- A expressão ‘Na minha opinião pessoal’, que me mata de vontade de perguntar ao meu interlocutor sobre qual seria a ‘opinião animal’ dele.

- A Stephanie Brito.

- Pessoas que perguntam; “Isso é uma fila?”, como se fosse natural que os outros se postassem um atrás do outro na porta de um banheiro.

- Os fiscais da lei anit-fumo. Não bastasse dar câncer, agora dá multa.

- O comercial cujo tema é a pinta da Angélica. Francamente!!!!!

- A musiquinha do Fantástico anunciando às cornetadas a chegada da segunda-feira (suicídio coletivo brasileiro)

- A dança do famosos.

- A dança dos famosos no gelo.

- A dança dos famosos no gelo com a Debora Secco de jurada.

- Pessoas que dizem “O Pelé é brilhante, mas o Edson…”, eu até entendo a intenção, mas ainda é sim é esquisofrênico.

- Pessoas que mandam ‘beijo no coração’. É afetado e anatomicamente bizarro.

- Pessoas que dizem “Ele como pessoa é um amor. Por quê? Como rabanete ele é um puta de um mau caráter????

- Homenagem aos famosos falecidos. com todo o respeito, se o Pelé e o Roberto Carlos morrerem no mesmo ano a retrospectiva da Globo vai ser prova de resistência.

- Lembrei-me agora, com desprezo, do “Teste pra cardíaco” do Galvão Bueno.

- A Angelina Jolie e o Brad Pitt adotando crianças como se estivessem jogando War.

Por enquanto é só. Podemos voltar a qualquer momento com novas informações.